DESCENDENTE DE ESCRAVO
Não sou descendente de escravo.
Mas sou uma escravizada.
Escravizada por uma sociedade.
Uma pobre sociedade formada!
Formada por uma geração perturbada,
cruel e marginalizada.
E sentindo-me, tão amedrontada.
Com a minha alma acorrentada.
Sinto na minha pele uma dor tão profunda.
A mais dolorosa chibatada.
Vivendo como se vive em uma senzala.
Uma presa nas garras dos feitores.
Sonhando com a liberdade.
Tentando quebrar as correntes.
Mas aceitando tudo calada.
Autora: Angélica Caldeira